Carol Reque: A principal mensagem da Ipanema é a de liberdade

 

     A garota escolheu jornalismo porque queria fazer rádio. No primeiro ano de faculdade fez um curso de locutor na Feplam e, em seguida, um estágio na Ipanema, em 1999, fazendo a cobertura de vestibular. Depois fez “milhões” de outras coisas. Foi morar em São Paulo, onde ficou quase três anos. Quando voltou foi chamada para trabalhar em outra emissora local. Depois fez uns “bicos” na Pop Rock, trabalhou com acessoria de imprenssa, fez a produção do programa cafezinho e em seguida foi chamada pelo Pancho, diretor da progamação da Ipanema, onde está hoje. Carol Reque, 32 anos, formada em jornalismo pela PUCRS trabalha nos programas pianinho, de “músicas mais tranquilas” e Pin Pong, com músicas dos anos 80 e 90. Gremista, leitora de biografias, mãe de uma garota de cinco anos, admiradora do Aerosmith desde os 14, Carol soltou o verbo com a gente aqui do Jornal do Mercado.

 

 

Programas

 

     Na sexta-feira tem também o “Ping-Pong Trash, só com músicas “bagaceiras”, Rosana, Menudos, mas é uma brincadeira, coisas bizarras. No começo muita gente xingava, agora ainda xinga, mas liga mais para pedir música do que para xingar. Umas músicas que eu nem lembrava. Para mim trabalhar aqui é tri-bom porque tem uma programação livre, a rádio é livre, pode falar e botar o som que tu quer. Eu fico pouco tempo no ar, faço duas horas diárias de segunda à sexta. Então tenho muito contato com o ouvinte, além de conversas por Twitter e Facebook. A gente fala bastante. É legal ter retorno, tanto para ouvir crítica ou para sugerir coisas e muita gente que tem banda também faz contato, manda material. Trabalhar num meio masculinho é tranqüilo porque a maioria dos guris aqui eu já conhecia. De locutora agora tem a Paola, a Helena, três mulheres.

 

 A programação

     A programação, na verdade, é de cada locutor. Cada um bota o seu dedo, junto com o ouvinte. Muda muito o estilo porque quando muda o locutor, muda o estilo do horário. Eu seguro um pouquinho as coisas que eu gosto muito, porque a gente não faz música pra gente.  Senão eu fico em casa ouvindo as músicas que eu quero ouvir. Tem que tocar o que o cara tá pedindo, mesmo que tu não gostes muito. Acho que o ouvinte também se identifica com o gosto do locutor.  O Heron gosta mais de punk rock, então vou pedir no horário dele. Às vezes no próprio Pianinho, que é, basicamente, de música calma, o pessoal pede uns troços meio pancadaria e eu acabo tocando depois no Ping-Pong. A gente acaba botando o nosso gosto no programa e o pessoal se identifica e pede.

 

 

Contato com ouvintes pelas redes sociais

     Acho o Facebook e o Twitter tri bom porque às vezes o ouvinte não pode ou não consegue ficar ligando do trabalho. Então está com um canal direto, na verdade são várias janelas abertas, então tu vai xingar, pedir um som, não tem vergonha de falar, tem isso também. É mais uma maneira de ficar mais perto e de se comunicar com as pessoas.

  

 A Ipanema

     É uma rádio que me permitiu conhecer muita coisa – me lembro do Planet Hemp, pô os caras falando de maconha, na época. E quem que ia tocar uma coisa dessas? Só a Ipanema, né? Depois ficou mais popular. Mas quem abriu as portas para tocar esse tipo de coisa foi a Ipanema, pelo menos no sul - como várias outras bandas. É a Ipanema que abre as portas.

 

 Apelidos da Ipanema

     Acho demais o termo Ipanêmico, o cara que se identifica o tempo todo, combina. Virou até vinheta. Ovelha Negra porque é a única que sai da mesmice, não toca só o que é modinha, jabá, novela. Jabá nem tem aqui, a gente até pode tocar uma música que seja moda, ou porque eu gosto, ou porque o ouvinte pediu, mas não porque alguém está te pagando. Nunca vi. 

 

 

Liberdade

     Eu estou muito feliz aqui na Ipanema, principalmente por esta história de liberdade, de poder tocar o que tu quiser. Se hoje é aniversário do David Bowie, então posso tocar David Bowie, não tem lista de músicas que tem que ser tocadas. Aqui tu podes tocar um puta rockzão e depois uma música super calminha. Na Ipanema tu podes fazer isto. Por não tem um protocolo, tudo é muito natural, sem problemas com os erros. Acho que cada vez mais as rádios têm que se preocupar com o que o cara quer ouvir. Aqui o Pancho me chamou e falou: “Os programas são estes”, já tinha a grade pronta. Achei legal a proposta dos dois programas. Para mim é gostoso fazer a programação com um monte de músicas que eu dançava em festinha quando era piá, achei os programas legais.

 

 
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