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Aristides Tonello Júnior* Alicerce de um povo, a cultura transforma-se e adota de tempos em tempos um conjunto de qualidades através da criação intelectual ou preservação histórica de um determinado grupo social. Sua tendência é guiada pelas mãos de qualquer artista: músico, ator ou escritor. Acrescentamos o fator local para assim fundamentarmos a tríade da identidade regional. Deste casamento surge uma consciência popular, e quando falamos de Rio Grande do Sul. É difícil não nos depararmos com influências da nossa história nos produtos culturais que consumimos. Nossos índios, negros e imigrantes foram descritos e cantados em verso e prosa assim como nossas fronteiras e cidades. Possuímos uma produção inexorável de lendas, mitos e heróis, sorvidos de personagens históricos ou retirados das conversações cotidianas para repousar na eternidade da ficção.
Nossa música e nossa literatura produzem constantemente o retrato de nosso povo.
Transmutando o foco, vamos nos debruçar sobre nossa capital e nela buscar não somente os seus heróis, mas a própria cidade como personagem. Porto Alegre também já foi descrita e cantada por diversos artistas em diversas épocas. Neste primeiro momento, vou me ater a produtos culturais que retratem o centro, por conseqüência dar uma atenção especial ao nosso Mercado Público.
Este olhar sobre as ruas e prédios do centro vem na hora em que o movimento que busca a sua revitalização. Pois estes corredores humanos e estes monumentos possuem sua sobrevida; descritos em livros ou cantados pelos poetas, eles repousam em outra dimensão. Aos poucos, iremos citar algumas obras onde podem ser visitadas a qualquer momento travessas, passeios ou construções, independente de sua permanência física.
“O tango dos guarda-chuvas na Praça XV Confere elegância ao passo da multidão Triste lambe-lambe, aquém e além do tempo Nunca mais, nunca mais“ Ramilonga – Vitor Ramil Existem muitas Porto-Alegres a serem descobertas, e nossa pesquisa conta com o apoio de você, leitor mais atento e disposto a colaborar com o Jornal do Mercado, para que nas próximas edições tenhamos uma citação e um autor a ser apresentado delineado ao público. Dyonélio Machado, Quintana, Veríssimo, Lupicínio, dentre tantos aguardam por este mapa a ser desenhado a partir de suas obras. Entrevista com Vitor Ramil A coluna Ruas da Cultura estréia com uma entrevista muito especial. Conversamos com Vitor Ramil. Neste ano de 2008 venceu o Prêmio Tim de Música na categoria de Melhor Cantor por voto popular, com o álbum Satolep Sambatown.
JM – Indique-nos algum autor e obra que nos remeta ao centro de Porto Alegre. VR – Os Ratos, do Dyonélio Machado, é o livro que mais me lembra o centro de POA.
JM – Algum personagem, passagem ou história com o centro? VR – Personagem, a pessoa do Mário Quintana. Quando eu tinha lá meus 14, 15 anos, fui de Pelotas a Porto Alegre tentar localizar o Mário e mostrar a ele meus poemas. Custei a encontrá-lo. Andei várias vezes entre o Hotel Majestic, o Correio do Povo e a Praça da Alfândega, onde ele talvez estivesse em um Café. Encontrei-o no Correio, no corredor que levava para a redação. Esses lugares e trajetos ficaram marcados na minha memória. JM – Quando está em Porto Alegre, costuma visitar o Mercado Público? VR – Sim. Costumo comprar erva-mate, comer a salada com nata na Banca 40 e almoçar no Sayuri ou no Gambrinus. JM – Para encerrar, indique um passeio cultural na cidade. VR - Uma boa caminhada pelos principais pontos antigos do centro, que passe pela rua Duque de Caxias, sobre a Borges, para tirar uma foto daquela curva suave que fazem os altos edifícios. * Jornalista
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